sexta-feira, 13 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Menina no quintal da espera
Essa menina vivia de esperas. Ela abria todos os dias a caixa velha de correio em frente à casa dela, uma casinha pintada de azul, com janelas brancas e amplas. Não adiantava essas janelas fazerem a luz do sol entrar se ela não as abria, o único que abria era a velha caixa de correio.
Esperava que chegasse a carta de sua vida embalada em papéis cheirando rosas e imaginava que ao abri-la encontraria uma vida cheia de euforias. Sonhava com isso todas as noites acordada, e desacordada o único que sonhava era sua solidão infeliz.
E acordava desse sonho pesadelado com um ar rarefeito, sufocante e poluído. Uma cegueira a acompanhava até a velha caixa de correio e só começava a enxergar depois de sentir que só haviam cobranças e malas diretas. Nem uma carta que pudesse abrir em su rosto sequer um pequeno sorriso.
Ela já havia idealizado tantas situações, tantos discursos, tantos gestos, tantos sorrisos. Não chegava nunca essa reciprocidade tão esperada. Afogou-se em lágrimas e soluços tantas e tantas vezes antes de agarrar-se ao salva-vidas tão insignificante. E esse salva-vidas era uma esperança restada e abandonada, que a ajudava em momentos de pânico absoluto.
Não abandonou sua solidão por nada. Só a abandonaria se recebesse essa carta. Ela já nem sabia mais de quem era... estava tão perdida e só que só era o que menos queria estar. Tentou-se a tantas tentações alheias, mas nunca encontrava um sentido nisso; parecia tudo tão turvo e tormentoso.
Essa menina não sentia mais seus pés no chão. Desligou-se de tudo; entregou-se à essa espera.
Espera. Espera. Não dá pra viver só de esperas.
Esperava que chegasse a carta de sua vida embalada em papéis cheirando rosas e imaginava que ao abri-la encontraria uma vida cheia de euforias. Sonhava com isso todas as noites acordada, e desacordada o único que sonhava era sua solidão infeliz.
E acordava desse sonho pesadelado com um ar rarefeito, sufocante e poluído. Uma cegueira a acompanhava até a velha caixa de correio e só começava a enxergar depois de sentir que só haviam cobranças e malas diretas. Nem uma carta que pudesse abrir em su rosto sequer um pequeno sorriso.
Ela já havia idealizado tantas situações, tantos discursos, tantos gestos, tantos sorrisos. Não chegava nunca essa reciprocidade tão esperada. Afogou-se em lágrimas e soluços tantas e tantas vezes antes de agarrar-se ao salva-vidas tão insignificante. E esse salva-vidas era uma esperança restada e abandonada, que a ajudava em momentos de pânico absoluto.
Não abandonou sua solidão por nada. Só a abandonaria se recebesse essa carta. Ela já nem sabia mais de quem era... estava tão perdida e só que só era o que menos queria estar. Tentou-se a tantas tentações alheias, mas nunca encontrava um sentido nisso; parecia tudo tão turvo e tormentoso.
Essa menina não sentia mais seus pés no chão. Desligou-se de tudo; entregou-se à essa espera.
Espera. Espera. Não dá pra viver só de esperas.
domingo, 8 de março de 2009
Hoje acordei e chorei mais uma vez. Quantas manhãs mais vou chorar? Durante o dia me mudo tantas vezes que chega a ser, realmente, imprevisível querer saber de alguma coisa. "Você é muito volúvel", já me disseram. Aceito.
Não suporto esse cheiro que não é de quem quero aqui. Não suporto o vazio da incerteza desse espaço que me separa de uma boa sensação. Me satisfaço momentaneamente sem me alegrar pelo menos um tantinho. Me faço sofrer por tantas coisas que amargam nessa distância. Tanta incerteza, me sinto como se estivesse em um carro em altíssima velocidade e sem cinto de segurança. E me repito e repito que era o que eu menos queria, mas parece que vou atrás disso mais e mais, não acho saída, sigo em frente, bato em meus sofrimentos e me firo; abro antigas feridas com umas lembranças cortantes e inacabadas. Não encontro aquele sossego.
Neste momento posso dizer que estou bem e confortável por não ter acontecido nada que eu não quisesse. Prefiro me guardar e não vasculhar minhas tristes lembranças para não chorar.
Não suporto esse cheiro que não é de quem quero aqui. Não suporto o vazio da incerteza desse espaço que me separa de uma boa sensação. Me satisfaço momentaneamente sem me alegrar pelo menos um tantinho. Me faço sofrer por tantas coisas que amargam nessa distância. Tanta incerteza, me sinto como se estivesse em um carro em altíssima velocidade e sem cinto de segurança. E me repito e repito que era o que eu menos queria, mas parece que vou atrás disso mais e mais, não acho saída, sigo em frente, bato em meus sofrimentos e me firo; abro antigas feridas com umas lembranças cortantes e inacabadas. Não encontro aquele sossego.
Neste momento posso dizer que estou bem e confortável por não ter acontecido nada que eu não quisesse. Prefiro me guardar e não vasculhar minhas tristes lembranças para não chorar.
um grito
não, não
por quê?
aqui, agora, hoje, amanhã
não importa nada
só você
enfim, é assim?
não é um fim,
é algo mais,
é a vida,
é sua vida,
é minha vida, agora
intenso, tenso
só você que quero,
meu quero
por quê?
aqui, agora, hoje, amanhã
não importa nada
só você
enfim, é assim?
não é um fim,
é algo mais,
é a vida,
é sua vida,
é minha vida, agora
intenso, tenso
só você que quero,
meu quero
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